domingo, 4 de outubro de 2009

O estresse e a relação com a atividade física

O termo estresse vem do inglês stress, e foi inicialmente usado na física para traduzir o grau de deformação sofrida por um material quando submetido a um esforço, sobrecarga ou tensão acima da sua normalidade ou do seu poder de reação. Usado atualmente na medicina, o estresse é o estado de tensão de um organismo vivo. Uma situação de estresse poderá ser vivenciada por qualquer indivíduo submetido a estímulo externo ou a alguma situação que provoque necessidade de mudança ou adaptação, mudança esta que acabe significando uma ameaça. Em termos práticos, é um conjunto de reações orgânicas e psíquicas no organismo em relação a estímulos externos, como medo, apreensão, preocupação, excitação, irritabilidade excessiva, tristeza e felicidade.A essa situação, o organismo do indivíduo produz respostas de biofeedback positivo ou negativo diante do volume e da intensidade desse estresse. Com isso, ocorre um notável aumento das respostas orgânicas do indivíduo, tais como alterações na atividade fisiológica, neuroendócrina, psicomotora, psicológica, entre outras. Essas modificações fazem com que ele fique preparado para enfrentar a situações fora do comum e o predispõem a agir de uma maneira rápida e enérgica.Existem dois tipos de estresse: o bom e o ruim. O bom motiva e inspira o indivíduo a viver; já o ruim pode ser agudo (estresse imediato, de momento) ou crônico (em longo prazo). Se uma situação for percebida como boa ou ruim, ocorrerão modificações tanto psicológicas quanto orgânicas, forçando o indivíduo a uma adaptação em resposta ao estímulo externo estressor.Porém, quando a resposta a este estímulo externo for muito freqüente e com um volume e intensa, pode-se ter repercussões negativas no organismo, ocasionando possíveis enfermidades. O estresse dificulta o processo de recuperação e cura do organismo do indivíduo, por baixar os níveis de substâncias chave do sistema imunológico.


A primeira coisa que acontece com o nosso organismo na circunstância do estresse é uma descarga de catecolaminas (adrenalina e noradrenalina). Os órgãos que mais sentem com isso são os aparelhos circulatório, respiratório e digestivo. No aparelho circulatório há um aumento dos processos hemodinâmicos. Além de haver broncodilatação e/ou broncoespasmos, a respiração se torna mais acelerada. No sistema digestório, há um acréscimo na liberação de ácido clorídrico por parte do suco gástrico pelo estômago, desencadeando vários tipos de ulcerações gástricas e duodenais.Os fatores estressantes podem ser acontecimentos positivos ou negativos, pois ambos os casos envolvem mudanças comportamentais do indivíduo que exigem um processo adaptativo a uma situação nova (positiva ou negativa). Em relação à reação negativa ou não desejada, a mais freqüente é a ansiedade, que é um modo de responder ao estresse e uma reação perante uma ameaça real ou imaginária, ou diante de um sentimento generalizado de intranqüilidade.A ansiedade é uma atitude normal e geral do organismo, ou seja, ela é biofisiológica, ligada às adaptações e situações novas e atuais. Porém, embora em algumas situações favoreça o desempenho do indivíduo em relação às circunstâncias da vida diária, ela o faz somente até certo ponto, em que o nosso organismo atinge um máximo de eficiência. Se a ansiedade ultrapassar este nível máximo de eficiência adaptativa, ao invés de contribuir, promoverá exatamente o contrário - o estresse. A partir deste ponto crítico, a ansiedade será tão grande que não favorecerá mais a adaptação, promovendo, pelo contrário, o esgotamento e a falência da capacidade adaptativa. Não podemos dizer que existe um estresse mais forte ou mais fraco, mas sim que cada um tem uma sensibilidade maior ou menor ao estímulo estressante que experimenta.O organismo, na tentativa de se adaptar aos estímulos externos do estresse, passa por uma fase em que sofre alterações, principalmente no sistema imunológico, levando a uma baixa resistência orgânica e à facilidade para adquirir infecções. Há também uma diminuição na capacidade de memorização, alterações de humor, insônia, irritabilidade excessiva, aumento da fadiga e grande cansaço, letargia, diminuição da libido, envelhecimento precoce, depressão, distúrbios do sono, perda acentuada de peso, mudanças de apetite, anorexia, agitação psicomotora, baixa da auto-estima ou culpa excessiva, cognição ou concentração debilitada. Ou seja, o estresse diário contínuo contribui para o desenvolvimento e exacerbação de problemas de saúde física e principalmente mental.


O estresse e a ansiedade não são doenças em si, mas podem facilitar o aparecimento e o desenvolvimento de vários tipos diferentes de enfermidades. Se o estímulo estressor se mantiver por longo tempo, o organismo atravessará três fases:


- Fase 1 ou de alarme: o organismo entra em estado de alerta ou de fuga para se proteger do perigo percebido e dá prioridade aos órgãos de defesa;
- Fase 2 ou de resistência: nesta fase persiste o desgaste necessário à manutenção do estado de alerta ou fuga. As funções orgânicas do corpo se ajustam a esse período;
- Fase 3 ou exaustão: há uma queda dos processos imunológicos do organismo, e com isso o surgimento de enfermidades.


São fontes de estresse: discussões e brigas familiares e no trabalho, morte de um amigo ou parente, divórcio, doenças, acidentes e traumas, barulhos, engarrafamento no trânsito, estudo para provas, excesso e falta de atividade física, falta de dinheiro para o pagamento das contas, sedentarismo, brigas conjugais, depressão, angústias, alimentação desequilibrada, uso e abuso de drogas e medicamentos, etc...


Dependendo de cada indivíduo, um fato objetivo pode desencadear uma resposta de estresse positivo ou negativo. Da mesma forma, os meios e métodos para enfrentá-lo são totalmente pessoais e diferenciados, pois "ninguém é igual a ninguém", e este ditado é igual a um dos princípios básicos do treinamento desportivo, que é a individualidade biológica.
Nos dias atuais, com a informatização no trabalho, em casa, em todo lugar, as pessoas ficam mais tempo paradas; o sedentarismo leva o indivíduo ao estado de estresse, desencadeando várias doenças crônico-degenerativas e hipocinéticas, ou seja, causadas pelo sedentarismo.

Como evitar o estresse?
Ninguém precisa ser um atleta para ter uma melhoria da sua disposição geral do organismo. A atividade física faz com que o indivíduo melhore seu organismo como um todo, em nível muscular, articular, ósseo. É muito útil na redução do estresse, porque à medida que o indivíduo se adapta ao aumento dos processos hemodinâmicos e dos hormônios catabólicos liberados durante a atividade física, o organismo é fortalecido e treinado a reagir mais calmamente quando as mesmas respostas são desencadeadas por um estresse mental. Além disso, a prática da atividade física diária ser como uma "válvula de escape" das preocupações dos indivíduos, distraindo-os daquilo que os aflige, fornecendo uma sensação prazerosa de realização pessoal, o que melhora o seu próprio ânimo e a sua auto-estima e confiança.


Antes de tudo, a atividade física deve proporcionar prazer, fazendo esquecer dos problemas diários, pelo menos dentro deste período de tempo em que está sendo praticada; senão, o próprio exercício será um fator de alto estresse negativo.


A prática diária de atividade física está associada a uma redução da reatividade cardiovascular em relação ao estresse mental. Isto é, os estímulos estressantes do dia-a-dia possuem um impacto negativo menor sobre a saúde de indivíduos fisicamente ativos.


Durante a atividade física a hipófise aumenta a produção de endorfina, que é um hormônio responsável pelo bem-estar, dando a sensação de mais tranqüilidade e euforia. Por isso, ela tem um papel importantíssimo no tratamento e na prevenção da depressão, da ansiedade e do estresse, devido à normalização das concentrações cerebrais e neuroendócrinas dos neurotransmissores dopamina, serotonina e norepinefrina.


Os exercícios contra-resistentes, no caso a musculação, são um exemplo de atividade física que acarreta melhorias mensuráveis da força, resistência e hipertrofia muscular, favorecendo a auto-imagem positiva e elevando a auto-estima.


Para se ter uma melhora da qualidade de vida e diminuição do, não há necessidade de se permanecer muito tempo praticando exercícios físicos. Nós sabemos que, quando realizamos atividade física, há um aumento da liberação hormonal anabólica e catabólica; porém, após 50 a 60 minutos de exercícios físicos o organismo começa a produzir e a liberar uma quantidade maior de hormônios catabolizantes. A atividade física por si só já é catabolizante; portanto, permanecendo um período de tempo muito prolongado na realização da atividade física, qualquer que seja, seu efeito catabólico, juntamente com a exacerbação de hormônios catabólicos, irão ocasionar uma somatização de estímulos estressores. Com isso, se o indivíduo não estiver bem treinado, bem alimentado e bem recuperado, nunca irá diminuir o seu nível de estresse. Pelo contrário: esse somatório de estímulos poderá vir de uma forma que vários atletas conhecem, chamado overtraining ou sobretreinamento. Portanto, tome cuidado!

Cuidados para realizar a atividade física


Para que se possa "malhar bem", dois fatores são imprescindíveis: o descanso adequado, pois é através do sono que se consegue manter o equilíbrio e o relaxamento físico, mental e espiritual; uma boa alimentação, responsável por energia orgânica e mecânica suficiente para gastar com a atividade física.


Quem não dorme bem acorda sonolento, cansado e estressado logo pela manhã, e torna-se irritável durante o dia. Também tem seu poder de raciocínio dificultado, além de outras alterações que são exatamente iguais aos sintomas do estresse - isto é, um alarme fisiológico do organismo, demonstrando que ele precisa se recompor para atingir seu equilíbrio homeostático. Descanse e relaxe e tenha uma boa recuperação com o sono. Durante o sono o organismo relaxa e se recupera dos desgastes ocorridos durante o dia. É, portanto um dos mecanismos mais importantes contra o estresse e a ansiedade diária do indivíduo. O dormir é tão importante quanto malhar e se alimentar adequadamente. O sono repousante e relaxante é o alimento do espírito. Se você não se alimenta bem, seu organismo não vai responder adequadamente ao mínimo de estresse a que estiver exposto.

Fonte: Prof. Gustavo De Angelis - T.A.G

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